O Dossiê Do Publicitário Traumatizado Com Uma Campanha De Dias Das Mães E Seus Companheiros. PT1
julho 16, 2009
Era uma reunião de pauta, onde um publicitário, recém chegado participa da sua primeira reunião criativa para a decisão de uma campanha de dia das mães de um shopping local.
O tema imposto não era fácil, muito menos interessante…o prêmio que o shopping ia dar era uma sala…(ÔOOOOh)
Todo mundo sabe que a maioria das mães gostam de ganhar presente pra elas, não pra casa, coisa que eventualmente elas próprias fazem, conforme vão vendo a necessidade da família….mas isso é um caso a parte que não adiantava discutir.Sem contar que foi cogitada a idéia de um super “Caminhão de Prêmios”, dando ênfase que a campanha era direcionada para classes A e B, eu estava me sentindo o Faustão da classe média alta!!!
Aliás, durante minha estadia naquele lugar me senti atuando na pele de diversos personagens (Além de palhaça).Lá não tinha briefing, então além de Gugu, Faustão, a Super Nany porque o “adorável” filho do chefe sempre aparecia e gostava de ficar falando coisas muito úteis na minha orelha (e eu morria de medo dele porque era a cara daquele garotinho assustador do Andy Milonakis Show da MTV), também a mulher do “Fala que eu te escuto” porque sempre aparecia algum desconhecido pra me contar seus problemas no meio do expediente, as vezes o Nelson Rubens por engano, porque sempre tinha um pra me perguntar o último capítulo da novela (não assisto) e pra variar também era o Waler Mercado do design ou mãe Dináh da criação, fica a critério.
Enfim, eu e o outro já estávamos desgastados, desgostosos e falando muita besteira, cheguei ao cúmulo de sugerir uma mãe parindo uma sala, dentre outras coisas absurdas. (Acho que é por esse e outros motivos me indicaram um psiquiatra.)
Durante a pauta, era notável o entusiasmo do rapaz, compartilhando centenas de idéias e possíveis soluções, mas como era de costume sempre éramos cortados…apesar disso ainda víamos a insistência da parte dele para que alguém o escutasse .Enfim, acho que o chefe se deu por vencido e…ok, começou a escutar (Era o que parecia…) e a balançar a cabeça como estivesse concordando com ele…
Tido por escutado, a criatividade brotava de forma eufórica, falava com gosto, era bonito de se ver…falou, falou muito, quando menos se espera, depois de muita saliva gasta e neurônios também, o chefe se vira contra ele, pro resto da mesa e fala;
-Que tal voltarmos para a primeira idéia? (O que significava: nada de criação e sim muito degradê do Corel Draw e imagem de stock free)
Nessa hora, muito decepcionado seu rosto murchou, junto com seu entusiasmo…e creio que outras coisas murcharam também, ele parecia estar excitado com toda aquela criatividade que surgira…
Hoje encontro ele dentro de um ônibus e conversamos a viagem toda.
Relembrando o tempo que trabalhamos juntos, ele pára e me diz;
- “Cara, peguei trauma de dia das mães, aquele lugar fez com que eu criasse um bloqueio à campanha de dia das mães e a salas também!!!”
Eu cai na risada, mal sabe ele que eu já tinha percebido isso faz tempo…áh, posso ser a Mister M ilustrada..desvendo “Mistérios” que todo mundo já conhece.
Imagina se ficasse em todas as datas comemorativas do ano?
Tadinho.
A Tarefa nunca foi cumprida.
julho 12, 2009
Relembrando um voluntariado que fiz numa casa de crianças aidéticas,senti saudades!
Lembro do primeiro contato!
Todos eram arredios, esse comportamento durou uma semana…longa semana aquela!
Já nos restos dos dias eu era disputada, fui denominada “tia” e me entreguei a difícil tarefa de me dividir em várias.
E quando tinha aquela pausa pra descanso, sempre um ou outro parava para conversar, e queria exclusividade, achava engraçado o jeito pomposo que chegavam com um ar de “Agora é a minha vez”.
E logo aquele, o mais magrinho com “jeitinho de gente grande”, que tinha o vírus já ativo e a saúde já fragilizada demais para o que o corpinho podia sustentar…me contava seus planos pro futuro com um grande sorriso no rosto e pura esperança, “o que queria ser quando crescer” era seu assunto preferido, eu engolia o choro, engolia a todo momento, a cada gesto, a cada olhar.
E na hora de ir embora, percebia que eles não se despediam, nem tchau davam, só perguntavam se eu ia voltar no próximo dia.Eu analisava…e ficava imaginando o que já não sofreram de perda e como seria difícil assimilar um tchau e o talvez.
Até hoje não entendo e nem concordo com aquela frase de “Tarefa cumprida”, é inevitável não sair de situações assim se sentindo uma merda, por cada empecilho que colocamos, por cada coisa pequenas que nos preocupamos, pelo que reclamamos.Tarefa cumprida é mudar a cada dia…
Por mais que meu sofrimento pareça grande, sempre que preciso tirar força pra lutar contra algo, me lembro deles, eles não diziam com palavras, diziam com o olhar, o que tornava tudo mais sincero.
São os anjos da minha vida, e um dos meus motivos de mudança.
Pessoas assim que eu amei.
A difícil missão de ser “social”
julho 11, 2009
Ser sociável é uma missão um tanto quanto difícil e tediosa. Em tempos que a vida não é lá um mar de pétalas de rosas, o esforço para abrir um sorrisão plástico e amarelo de orelha a orelha se torna completamente desnecessário.
Ser social exige demasiada prática e dedicação. Para obter sucesso é necessário ignorar tua opinião e se dedicar 100% ao que te dizem, mesmo sendo sempre um monte de blá blá blá desordenado e corriqueiro.
Talvez devêssemos seguir a risca o ditado que determina “olho por olho, dente por dente”, longe de rotinas supérfluas e desgastantes, amizades efêmeras e contraditórias, amores frívolos e tudo o que abale nossa paz interior.
Viva a auto-exclusão social!!