A Tarefa nunca foi cumprida.
julho 12, 2009
Relembrando um voluntariado que fiz numa casa de crianças aidéticas,senti saudades!
Lembro do primeiro contato!
Todos eram arredios, esse comportamento durou uma semana…longa semana aquela!
Já nos restos dos dias eu era disputada, fui denominada “tia” e me entreguei a difícil tarefa de me dividir em várias.
E quando tinha aquela pausa pra descanso, sempre um ou outro parava para conversar, e queria exclusividade, achava engraçado o jeito pomposo que chegavam com um ar de “Agora é a minha vez”.
E logo aquele, o mais magrinho com “jeitinho de gente grande”, que tinha o vírus já ativo e a saúde já fragilizada demais para o que o corpinho podia sustentar…me contava seus planos pro futuro com um grande sorriso no rosto e pura esperança, “o que queria ser quando crescer” era seu assunto preferido, eu engolia o choro, engolia a todo momento, a cada gesto, a cada olhar.
E na hora de ir embora, percebia que eles não se despediam, nem tchau davam, só perguntavam se eu ia voltar no próximo dia.Eu analisava…e ficava imaginando o que já não sofreram de perda e como seria difícil assimilar um tchau e o talvez.
Até hoje não entendo e nem concordo com aquela frase de “Tarefa cumprida”, é inevitável não sair de situações assim se sentindo uma merda, por cada empecilho que colocamos, por cada coisa pequenas que nos preocupamos, pelo que reclamamos.Tarefa cumprida é mudar a cada dia…
Por mais que meu sofrimento pareça grande, sempre que preciso tirar força pra lutar contra algo, me lembro deles, eles não diziam com palavras, diziam com o olhar, o que tornava tudo mais sincero.
São os anjos da minha vida, e um dos meus motivos de mudança.
Pessoas assim que eu amei.